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Entrevista Especial com JUCA DE OLIVEIRA

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Hoje é dia 01 de Janeiro de 2017 e nesse primeiro dia desse novo ano que se inicia trouxemos para você leitor do “No Mundo dos Famosos” uma “Entrevista Especial” com um dos maiores nomes do teatro e da televisão brasileira. Ele já atuou em diversas novelas de sucesso, já viveu personagens marcantes nos palcos do teatro e é referência absoluta na cultura brasileira. Meu primeiro entrevistado do ano é o magistral e querido ator JUCA DE OLIVEIRA.

“Temos problemas graves como, por exemplo, a Lei Rouanet que foi criada com propósitos de elevação cultural e, no entanto, acabou se constituindo em um grande desastre porquê de repente o Ministério da Cultura dá dinheiro ao artista e nós aprendemos ao longo da história que você jamais deve dar dinheiro ao artista, pois o que você deve dar é condições para o artista trabalhar”...

(Juca de Oliveira)

Jéfferson Balbino: O que é mais gratificante na carreira de ator?

Juca de Oliveira: O gratificante da carreira do ator é, justamente, que o ator carrega uma função social, primeiramente, através do teatro, pois a função social do ator não é ele ficar famoso e assinar autografo ou tirar foto ou aparecer em todas as reportagens, a função social do ator ao longo de toda a história que começa lá no século V a.C. com os gregos é melhorar o homem o tornando um ser mais generoso, mais afetivo e mais solidário. É, justamente, isso que procuramos fazer seja no teatro, na televisão ou no cinema. 

Jéfferson Balbino: No Brasil, infelizmente, o hábito de ir ao teatro ainda é escasso por uma grande parcela de nossa sociedade. Sendo assim, cabe à telenovela fazer a função do teatro, do cinema e até mesmo da literatura. E, diferentemente das outras produções de teledramaturgia ao redor do mundo, a telenovela brasileira é praticamente a única que aborda em seu contexto grandes doses de temática sociocultural. O senhor acredita que o fato da telenovela brasileira ter essa peculiaridade faz aumentar a responsabilidade social do ator diante do seu público?

Juca de Oliveira: Veja bem, Jéfferson, a função social não é apenas da telenovela ou do ator é, sobretudo, da própria sociedade, pois temos problemas graves como, por exemplo, a Lei Rouanet que foi criada com propósitos de elevação cultural e, no entanto, acabou se constituindo em um grande desastre porquê de repente o Ministério da Cultura  dá dinheiro ao artista e nós aprendemos ao longo da história que você jamais deve dar dinheiro ao artista, pois o que você deve dar é condições para o artista trabalhar, mas ele que deve ganhar seu dinheiro através dos empresários, através dos espetáculos excepcionais que ele produz e que faz com que o público se entusiasme e venha assistir, afinal a melhor publicidade não é aquela que faz na televisão ou em anúncio em revistas e jornais, mas sim aquela [publicidade] feita no boca a boca. E esse tipo de publicidade sempre existiu e sempre deu certo e o que devemos é retomar isso. Precisamos fazer com que o teatro volte para o empresário e volte para o ator profissional para aquele que trabalha para viver através de sua profissão no teatro e não apenas para receber dinheiro.

Jéfferson Balbino: Ao longo de sua carreira o senhor deu vida à inúmeros personagens. Existe algum personagem que não foi sucesso de público e de crítica, mas que para o senhor teve um sabor especial?

Juca de Oliveira: Olha, Jéfferson, eu tenho tido uma sorte tão extraordinária que eu tive muitos sucessos tanto de público quanto de crítica. O último sucesso meu foi em “Rei Lear” do Shakespeare que fez sucesso tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo, também. E depois fomos excursionando o Brasil inteiro... Então, Jéfferson, eu te digo que fazer sucesso é algo maravilhoso, mas se você não tem sucesso, também, pode ser maravilho porque você sempre vai aprender mais com o insucesso do que com o sucesso. O sucesso não permite que você detecta nenhum problema, nenhum defeito, nenhuma falha que você tenha executado ao passo que a crítica negativa e a falta de público faz com que você vê seus erros e não os torne a executá-los.

Jéfferson Balbino: Certa vez eu comentei com o nosso querido novelista Lauro César Muniz que o personagem que o senhor interpretou na novela “O Espelho Mágico” é de uma magnitude extrema uma vez que representa bem o árduo oficio de um escritor de novelas. Como foi dar vida ao autor de novelas Jordão Amaral?

Juca de Oliveira: Foi muito prazeroso, pois essa novela “O Espelho Mágico” foi, na época, uma experiência muito audaciosa, pois usava a metalinguagem.

Jéfferson Balbino: Não é todo dia que assistimos uma novela que tem como um dos personagens um autor de novela.... Então creio que tenha sido mais trabalhoso para o senhor criar esse personagem, certo? Como foi o processo de composição desse personagem?


Juca de Oliveira: Todas as personagens são complexas. Eu, por exemplo, faço uma brincadeira com meus colegas que é o seguinte o autor mais complicado e que mais apaixona os atores no Brasil e no mundo é o Shakespeare que é a grande paixão dos grandes atores e eu já fiz quatro personagens de Shakespeare e ele é um autor difícil porque tem uma linguagem muito elaborada, muito difícil, principalmente, por ser em versos e o ator tem que se testar mesmo para fazer Shakespeare, pois se ele não se testar o público não irá assisti-lo. Então eu costumo dizer que o personagem mais difícil é o Hamlet do Shakespeare, portanto se você faz um personagem pequeno de duas páginas é Hamlet e se você faz um personagem numa novela que ele aparece do primeiro ao último capítulo, também, é Hamlet.



Escrito por NO MUNDO DOS FAMOSOS - 10 ANOS às 21h42
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Entrevista Especial com JUCA DE OLIVEIRA

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Jéfferson Balbino: Então Shakespeare funciona como um teste de fogo para todo ator?

Juca de Oliveira: Exatamente! É sempre uma provação que você tem que ir até o fim.

Jéfferson Balbino: Temos uma grande e querida amiga em comum que é a Rosamaria Murtinho. O que o senhor pode nos dizer sobre a Rosinha?

Juca de Oliveira: A Rosamaria Murtinho é uma das maiores atrizes do teatro, da televisão e do cinema brasileira, pois ela tem um talento e uma vocação excepcional além de ter uma belíssima voz e uma grande cultura do teatro. A Rosinha é uma das principais atrizes desse país e tem seu nome cravado na história do teatro brasileiro, mas cravado em letras garrafais e bem expressivas.

Jéfferson Balbino: Na televisão, o senhor deu vida, ainda, ao personagem João Gibão na primeira versão da novela “Saramandaia”. Como foi trabalhar com o inesquecível novelista e dramaturgo Dias Gomes?

Juca de Oliveira: Muito bom, pois o Dias [Gomes] é um dos melhores autores, principalmente, de teatro. Antes dele ser autor de televisão ele já era um maravilhoso autor de teatro. Infelizmente, ele morreu muito cedo, pois tinha muita coisa para realizar. O Dias Gomes teve uma função social muito importante devido a sua posição política, pois ele era um homem que escreveu todas as suas peças com um caráter social que, inclusive, ele levou para a televisão e ele acabou exasperando até a Ditadura Militar que censurou espetáculos no teatro e novelas na televisão. Eu mesmo fiz uma novela do Dias e tivemos problemas com a censura, mas o Dias Gomes está lá nos esperando e daqui a pouco nos encontramos (risos).

Jéfferson Balbino: Em 2013, a TV Globo produziu um remake da novela “Saramandaia” e seu personagem João Gibão foi interpretado pelo ator Sérgio Guizé. Como foi ver outro ator dar vida à uma cria sua?

Juca de Oliveira: Olha, Jéfferson, eu não assisti toda a novela porque nós trabalhamos no teatro e nem sempre dá tempo de assistirmos e acompanharmos o que está passando na televisão, mas eu assisti algumas vezes o remake e achei muito interessante o João Gibão dele e a encenação que ele teve.

Jéfferson Balbino: Então o senhor não tem aquele sentimento de posse e/ou pertencimento pelos personagens que o senhor já viveu?

Juca de Oliveira: Não, não.... Eu fiz vários personagens, principalmente, no teatro e nunca tive nenhum ciúme em ver outro ator interpretá-los.

Jéfferson Balbino: O senhor, também, deu um show de interpretação como o Alberto na minissérie “Queridos Amigos”. Como foi contracenar e fazer par romântico com a magistral Fernanda Montenegro?

Juca de Oliveira: Foi uma glória, né?! Afinal, é sempre muito bom trabalhar com uma atriz do porte da Fernanda Montenegro, pois a grande ambição de todo ator é contracenar com a Fernanda Montenegro que é, sem dúvida, a nossa melhor atriz.

Jéfferson Balbino: E o senhor é um ator que gosta de assistir novelas? Quais foram às melhores novelas que assistiu como telespectador?

Juca de Oliveira: Nem sempre você tem condições de ver todas as novelas ou de assistir uma novela todos os dias. Eu vejo pedaços de algumas novelas, pois faço muito teatro e estou no teatro no horário que elas passam. Mas eu gosto de televisão, eu gosto de assistir novela, gostei muito, por exemplo, do “Velho Chico”. Adorei as novelas do João Emmanuel Carneiro.

Jéfferson Balbino: Por falar no João Emmanuel Carneiro, em “Avenida Brasil” o senhor deu vida ao Santiago que era tão vilão quanto a Carminha, aliás, era pai dela. Que lembranças o senhor tem desse trabalho?

Juca de Oliveira: As melhores possíveis. Para fazer esse vilão eu, também, tomei de inspiração o Hamlet do Shakespeare que é o personagem mais difícil da dramaturgia universal.

Jéfferson Balbino: O senhor sonha em interpretar algum tipo especifico de personagem?

Juca de Oliveira: Não, por enquanto não. Eu fiz quatro Shakespeare e eu ainda tenho a ambição de fazer mais algum personagem dele.

Jéfferson Balbino: O senhor construiu ao longo de sua trajetória profissional uma belíssima e exemplar carreira. Acredita que já tenha conquistado seu apogeu?

Juca de Oliveira: Não cheguei ao apogeu até porque eu ainda estou trabalhando e te digo que trabalho mais hoje aos 81 anos do que quando eu tinha 25 anos de idade (risos). Então eu não estou ainda em final de carreira para já ter alcançado meu apogeu (risos).

Jéfferson Balbino: Tem algum ator dessa nova geração que o senhor admira e que gostaria de trabalhar?

Juca de Oliveira: Eu não vou te dizer nomes, Jéfferson, pois acho que seria uma covardia, pois tem muitos atores excepcionais aí. Os jovens estão arrasando no teatro e nas novelas. Essa geração nova está vindo com muita força e aprenderam muito e eu tenho muita vontade de trabalhar com eles, inclusive, para aprender.

Jéfferson Balbino: Juca, muitíssimo obrigado por conceder essa entrevista ao “No Mundo dos Famosos”. Parabéns pela belíssima e admirável carreira. Obrigado por tudo que fez em prol do teatro e da televisão brasileira. Um grande abraço, muito sucesso e um Feliz 2017!


Juca de Oliveira: Obrigado, Jéfferson. Gostei muito de ter participado dessa entrevista e por todo seu conhecimento e reconhecimento do nosso trabalho. Um abraço!



Escrito por NO MUNDO DOS FAMOSOS - 10 ANOS às 21h42
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